Preciso de atirar os animais internos para o papel, numa purga diária. Se não os depuro, crescem. E há mais: quero um repositório do que faço, pouco ou muito. Por isso, que se lixe. Cada entrada será o que for e espero que isso ajude.

Entrada#15

Onze da noite num bar fechado e a conversa ainda decorria. Embora não revelasse G. na dimensão que eu desejava, apenas luzes de uma amizade dispersa, R.F. tinha muito para dizer. Como faz os números, aos quais chama bonecos, como pensa o meio, a primeira e a última vez que viu G. (acenos de rua, pouco mais), episódios da noite. Seguindo as pistas desta conversa, hoje de manhã, muito cedo, chegava a um café – igual a tantos – onde talvez me falassem mais de G., e onde, por acaso, fui apresentado a A.B. Aproveitei a ocasião para uma entrevista de improviso, e em menos de nada embrenhava-me na Baixa, por ruas decrépitas que o turista ainda não mudou, e dentro de prédios que talvez retivessem memórias, talvez escondessem só porcaria. Sempre acompanhado por uma torre ao longe, demarcada e sobranceira, que assinalava a presença do PdA. Decidi dar-lhe mais destaque no livro, como os olhos que nunca deixam de olhar em O Grande Gatsby. Como quem tudo vê mas nada faz.

No bolso

Entrada#14